A religiosidade sempre fez parte da minha vida, começando pelo fato de eu ter sido criada numa Igreja, pelos meus avós pastores, e mesmo quando não por eles, com a presença constante deles. Meu pai é evangélico desde minha infância, e me "incentivava" a ser também. Grafo com aspas, e quem conhece evangélicos imagina o porquê. Já quem conhece meu pai, entenderá perfeitamente.

  Eu poderia então, dizer que minha religiosidade teve motivação externa. A inicial até foi, mas eu continuei buscando espiritualidade mesmo depois de as influências iniciais terem acabado. Ser religiosa passou a ser um traço da minha personalidade, ainda que em certos momentos um traço intermitente. Sempre que sou obrigada a olhar para quem eu sou, vejo necessidade de alimentar esse traço.

  Eu poderia dizer que eu uso a religião para me convencer de que eu não vivo em vão, de que eu tenho um propósito, que é ser feliz e fazer os outros felizes através do amor. Sempre que sinto dor, me volto pra filosofias que possam me ajudar a superá-la. A maioria das pessoas passa a acreditar em algo maior por um dos dois motivos, ou os dois. Paliativo, então?

 

  A boca fala do que está cheio o coração, e o que eu sei é que ele está mesmo sempre cheio de religião. Nem sempre cheio de bondade, serenidade e qualidades para mim desejáveis. Mas cheio de tentativas de cultiva-lás. Engraçado mesmo é racionalizar tanto isso. E ainda tem quem diga que a fé é o oposto de racional. Racionalizar também tem a ver com quem eu sou. Às vezes não. Às vezes eu penso que tenho inveja de Caeiro, que queria não tentar entender o mundo, já que não posso fazê-lo; ou melhor, que não há o que entender. Mas não tenho.

  Quero encontrar um fim pro texto, mas o raciocínio que o gerou nunca termina. Então me despeço apenas.



Escrito por Bubu às 12h35
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